ARTIGOS
Missão & Omissão
Desde o tempo do “Pacto de Lausane” e diga-se que muitos poucos sabem de que se trata. No Congresso Internacional de Evangelização Mundial, Lausane, Suíça, em 1974, O Rev. John R. W. Stott preside a comissão que foi estabelecida para elaborar a redação dos resultados do congresso.
Hoje, pouco mais de trinta anos deste congresso percebe-se que o grito ainda permanece e que muito pouco se fez para atingir os alvos ali estabelecidos. Outros muitos congressos ecoaram por este mundo, como por exemplo, o “Congresso Brasileiro de Missões” em Caxambu em 1993, observa-se que as limitações e os problemas parecem serem os mesmos. Já no congresso de Guarapari em 1998, nas palestras ecoavam o grito do “voltar para a bíblia”. Diante disto parece existir uma disputa em afirmar o que quer dizer o termo “missão” para a igreja. Nesta controvérsia a igreja afirma que os congressos são de certa forma “Utópica” e a resposta deles vem afirmando a “Omissão” da igreja.
 
Afinal, qual a verdade, o que o texto bíblico diz? Nota-se em primeiro lugar, sem sombra de dúvida, “O AMOR DE DEUS É MISSIONÁRIO”, em Jo 3.17 Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. O amor de Deus é tão grande por nós que Ele envia seu filho com a “missão” de salvar o mundo.
Jesus ao receber a missão do Pai cumpre-a cabalmente, cumpriu tudo o que foi escrito sobre Ele no Antigo Testamento. No tempo que Jesus Cristo esteve entre nós, procurou ensinar seus discípulos a respeito da sua “missão” e quando Ele é assunto ao céu a sua “missão” foi cumprida.
 
Entretanto, Jesus diz em Jo 17.18 – 21 Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade. Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Jesus está dizendo que Ele estava junto ao Pai, mas por nos amar e desejar a nossa salvação teve de deixar o Pai e vir de encontro com os pecadores para serem salvos mediante arrependimento e confissão. Desta mesma forma Ele nos envia e o texto é muito claro nesta oração. Aqueles que crêem na sua Palavra também são enviados, a questão única é obedecer a “missão” ou a “omissão” do envio de Jesus.
 
Outro texto que deve ser observado é o da “grande comissão” em Mt 28.19 - 20 Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século. Ora devemos entender que o verbo “Ide” está no imperativo em português e no texto grego é um particípio aoristo voz passiva e sua melhor tradução dever ser “indo” ou “tendo ido”, já o segundo verbo “fazei” está no imperativo tanto no grego como em português e os verbos batizar e ensinar também estão no particípio. O que o texto sugere é que “indo” para onde quer que seja devemos obedecer à ordem de “fazer discípulos” isto é, seguidores de Jesus Cristo, e a maneira de fazê-lo são batizando e ensinando “todas” as coisas que Jesus Cristo ensinou. Assim, é evidente que como igreja; devemos ir ao encontro dos pecadores, pois eles não virão a nós, estão cegos e perdidos neste mundo.
 
Espero que a sua conclusão seja simples, pois a controvérsia entre os congressos e as igrejas vai continuar travando o desenvolvimento do Reino de Deus. Ao observamos o “Pacto de Lausane” de 1974, vimos que ainda continua atualizadíssimo, pois as limitações e os problemas continuam os mesmos. Quando Jesus orou por mim e por você em João 17, Ele estava enviando cada um de nós. A diferença será feita a partir de cada um de nós, CUMPRAMOS COM A NOSSA MISSÃO.
 
João Ademir Milesi
Mestre em Teologia Pastoral com ênfase em Missões pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Prof. de Missiologia da FTN.